Bando de inapropriados
A proteção das crianças é um assunto incontestável, incontroverso e inapelável. Porém, apesar disso, e talvez por causa disso, virou um cavalo de tróia para ferrar com a vida de um país inteiro.
O seguinte vídeo apresenta o ato da votação simbólica da lei nº 15.211/2025 ("Lei Felca"), no canal da CNN Brasil:
Somente quatro senadores se colocaram contrários à aprovação desta lei.
À guisa de brevidade, para não perder o timing, correndo o risco de alguma imprecisão, o que ocorre é o seguinte:
De maneira geral, as empresas que, de alguma forma, prestam serviços digitais no Brasil, terão que possuir um CNPJ e terão que efetuar checagem de idade no usuário que acessar o tal serviço. A checagem não pode ser uma simples checkbox ou um mero botão. Tem que ser algo mais robusto.
O que mais se fala atualmente é a questão do Linux, um sistema operacional (melhor: uma coleção de sistemas operacionais) de código aberto, que, em tese, pode(m) ser customizado(s) à vontade.
Windows e IOS conseguem implementar checagem de idade eficaz de maneira simples. O código é fechado e o sistema pode ser, digamos, "homologado" para operar no Brasil.
Mas e o Linux?
No sentido de que qualquer pessoa pode, em tese, construir e rodar o próprio sistema operacional (e aí entendo que haveria um vácuo jurídico), as diversas distribuições do Linux se equivaleriam a isso.
É muito simples: Alguém pode baixar o código fonte de tudo que é necessário para compilar e rodar um Linux, remover tudo que diz respeito a checagem de idade, e sair rodando um sistema operacional próprio, do jeito que a pessoa quis deixá-lo.
Isso será ilegal?
A que ponto chegamos???
A data em que entrará em vigor a tal lei é na próxima terça-feira, dia 17 de março de 2026.
Eu não vou saber o que pensar se, a partir dessa data, o Windows resolver me pedir minha data de nascimento para eu acessar o meu próprio computador.
Se isso acontecer (eu corro o risco de passar por idiota nesse momento), estará explicada a pressa em se aprovar uma lei tão infame assim.
De novo: a proteção pretendida é incontestável. O problema é que estão colocando coisa que não deveria aí no meio.
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Sobre o título: era para conter um adjetivo bem menos apropriado, mas, como aparentemente revogaram certas partes da constituição, resolvi deixá-los apenas como "inapropriados". O trem chinês está chegando e ninguém está percebendo.
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