Não foi um World Trade Center
No vídeo a seguir, Eduardo Oinegue, da BandNews, foi um passo além e teceu um comentário tão interessante quanto sério:
"Não foi um World Trade Center".
O vídeo é longo (23 minutos e 21 segundos), mas o resumo é o seguinte:
- Sabemos como um banco morre: crise de liquidez, desvio e tal. Mas como nasce um banco?
- O Daniel Vorcaro foi "estruturando" o banco. Alguns nascem e morrem. Outros são absorvidos por outros. Outros vão crescendo e comprando outros.
- O Banco Master, apesar de ter nascido da compra de um primeiro banco, ele comprou outros: Voiter, Will, Vipal, Banif, Letsbank.
- Porém, essas compras precisam ser aprovadas por inúmeros órgãos do Banco Central. É uma coisa de muita responsabilidade, porque (parafraseando) são coisas meio imateriais, ao contrário de outros tipos de empresa, como as de petróleo e mineração.
- Portanto, para um banco chegar onde o Master chegou, ele precisou, antes de mais nada, da aprovação do Banco Central, para as sucessivas compras de outros bancos que ele efetuou.
- Então, segundo eles (BC), estava tudo bem esse tempo todo?
- O Banco Master, inclusive, como toda empresa grande, estava sujeito a auditoria externa. Então auditoria não serve para nada? Para que serve uma empresa de auditoria?
- As empresas de auditoria sempre irão alegar que trabalham com as informações que lhes são fornecidas.
- A própria XP divulgou amplamente as melhorias nas notas de avaliações pelas empresas de rating. (O Itaú, porém, não vendia nada do Master... curioso isso)
- Na análise das responsabilidades, temos o seguinte: o que temos que fazer de mudança no funcionamento do sistema financeiro nacional para que não aconteça algo como o que aconteceu? Porque o problema não é o Banco Master morrer. É como o Banco Master nasceu e cresceu, protegido por um sistema financeiro, os concorrentes, a empresa de auditoria, a de rating, e a CVM, que não estavam conseguindo enxergar as patifarias (S.I.C.) que estavam acontecendo dentro do Banco Master.
- O FGC tem alguns comitês inclusive de fiscalização, auditoria... ninguém viu isso?
- A "bandeira vermelha" nunca subiu. Uma coisa é você estar trabalhando no World Trade Center e aparecem dois aviões, e atacam o prédio onde você está. Vai descobrir que tinha erro e tal, mas era um ataque terrorista. Aquilo (Banco Master) não foi um ataque terrorista. Foi alguém com capital que foi comprando, comprando, comprando, e pegou um terço do FGC. E tem dinheiro público nisso. O FGC tem bancos como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
- É uma teia muito complicada para a gente resumir em "era um grande picareta que ninguém viu, e aí foi um World Trade Center". Não foi um World Trade Center.
- Para o correntista, foi. Para o cara do Will Bank foi. Era o banco do cara. Salário preso e tal.
- Chegamos, portanto, com a ajuda de muita gente. O Banco Central tem muita coisa para explicar.
- Não há dúvidas de que tem gente que tem condições de burlar o sistema. Mas seis vezes? (referindo-se a seis bancos comprados).
- "Passou um elefante através dos dedos por dentro dos sistemas de controle".
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